Fora da mesinha, pode?

Claro que pode! Até o procedimento de tentativa discreta pode ser realizado fora da mesinha. O mais fascinante na compreensão da Análise Aplicada do Comportamento (ABA) como algo além de um conjunto de técnicas e procedimentos é a possibilidade de usufruir, combinar e até mesmo criar estratégias de intervenção. Obviamente, isso só é possível com uma formação sólida na área e constante aperfeiçoamento da prática. Por isso, é tão importante ter o acompanhamento de uma analista do comportamento com confiável trajetória de capacitação profissional.

Ainda assim, pais, professores e profissionais de outras áreas podem se beneficiar muito com as contribuições da Análise do Comportamento. Só a aquisição de informações adequadas já garante a escolha de um bom analista do comportamento e de um melhor acompanhamento do trabalho desse profissional. E o resultado pode ser visível no desenvolvimento do indivíduo com TEA.

O que mais existe, então, além da tentativa discreta realizada na mesinha? Pode se preparar para uma vastidão de estratégias:

 

– Modelagem: ensino de uma nova habilidade a partir dos comportamentos que o indivíduo apresenta, relacionados a essa habilidade. Por exemplo: uma criança está aprendendo a se alimentar com o uso de colher. Seus pais, então, disponibilizam o prato com a comida e a colher na frente dela e a observam. Qualquer tentativa da criança de tocar, pegar ou manipular a colher é encorajada pelos pais (os pais elogiam a criança, dizendo que ela está indo muito bem). Tentativas de pegar a comida do prato com a mão são ignoradas e eles somente elogiam a criança quando ela tenta algo na direção de usar a colher. Aos poucos, a criança passa a manusear a colher de forma adequada, avaliando até a facilidade de uso desse utensílio para se alimentar (para tomar uma sopa, por exemplo, a colher é uma ferramenta mais eficaz que as mãos).

– Modelação: ensino de uma habilidade por meio de imitação. O indivíduo imita ou pelo menos tenta imitar um modelo dado a ele (seja vocal – uma palavra, por exemplo; seja de coordenação motora – levantar os braços, por exemplo).

Treino de respostas pivotais (Pivotal Teaching): ensino de uma habilidade que envolve respostas a múltiplos estímulos, com foco no interesse da criança e suas respostas espontâneas. Trabalha também com imitação.

Ensino incidental (Incidental Teaching): ensino de uma habilidade em contexto natural, aproveitando as situações naturais do dia a dia da criança. Parte de episódios iniciados pela criança, aproveitando seu interesse por estímulos do ambiente em que ela está inserida. Encontrei um vídeo muito interessante sobre esse procedimento: clique e confira

 

Esses são alguns dos diversos procedimentos de ensino de habilidades da ABA. Talvez você não precise conhecer ou se aprofundar em todos eles (afinal de contas, isso é trabalho do analista do comportamento). Mas, você agora consegue entender melhor a amplitude de atuação de uma intervenção ABA? Espero que sim…

Ainda tem muitas dúvidas? Não se preocupe, isso é ótimo! São elas que nos movem na direção de conhecer mais e melhor o nosso mundo! Estamos no mesmo caminho…