A terapia chamada Terapia ABA e o “status” de analista do comportamento no Brasil: informações úteis

Muitos seguidores e leitores não somente desta página, mas de tantas outras com diversas informações sobre TEA e sobre Terapia ABA me enviaram mensagens perguntando sobre a formação dos terapeutas do nosso país, de forma geral. Mais especificamente, me questionaram sobre os requisitos para um profissional se considerar terapeuta ABA e, alguns deles, inclusive, indagaram sobre certificação. Por esse motivo, reservei algum tempo para escrever esta publicação.

Existe um tipo de certificação internacional que qualifica um profissional como analista do comportamento. No link do ABA fora da mesinha chamado “Fora da mesinha segue” está o link direto para o site dessa certificação (BACB – Behavior Analyst Certification Board). É um processo criterioso e extremamente sério de seleção de profissionais que efetivamente utilizam os pressupostos da Análise do Comportamento em sua prática. Quem tiver interesse por mais detalhes, pode acessar o site pelo link: http://bacb.com/?wref=bif.

No Brasil, embora a certificação BACB tenha validade (porque afinal de contas é uma certificação internacional), ela não é uma exigência como parte das qualificações do profissional analista do comportamento. Para compreender isso é importante considerar a história de desenvolvimento da Análise do Comportamento em outras partes do mundo, especialmente nos EUA (berço da abordagem) e a história de desenvolvimento da área no nosso país. A Análise do Comportamento data sua origem oficial na década de 1930, nos EUA, com B. F. Skinner. Aqui no Brasil, suas contribuições passaram a compor a formação em cursos de Psicologia na década de 1960, com Fred Keller lecionando o primeiro curso de Análise do Comportamento na disciplina de Psicologia Experimental, na USP/SP. De lá para cá, os cursos de Psicologia de todo país têm em seus projetos curriculares inúmeras disciplinas em que fenômenos psicológicos são estudados à luz da Análise do Comportamento. Nesse sentido, todo aluno de Psicologia recebe uma formação fundamentada nessa contribuição da Psicologia como área de conhecimento (não entrarei no mérito da qualidade dessa formação em nível de curso de graduação, embora tenham muitas variações de curso para curso).

A certificação BACB existe desde 1998, de acordo com o site da própria organização. É possível afirmar, então, que a Análise do Comportamento é muito anterior a esse tipo de certificação, embora a existência dele seja um sinal inquestionável de aprimoramento da área e do campo de atuação. Precisamos considerar novamente que os EUA são o berço da Análise do Comportamento e nada mais natural e inerente ao processo de desenvolvimento de uma profissão que eles estejam alguns “passos” na nossa frente. Isso não significa que o trabalho que temos aqui no país, com profissionais com formação acadêmica sólida, possa sofrer algum demérito.

Para conquistar essa certificação em seu currículo, o profissional realmente não precisa ter formação em Psicologia. Aliás, mesmo nos cursos de Pós-Graduação no Brasil, essa não é uma exigência 100% das vezes. Isso significa, então, que não precisa ser psicólogo para ser analista do comportamento. O que existe é uma espécie de acordo tácito de que, a Análise do Comportamento sendo uma disciplina estudada dentro dos cursos de Psicologia, o profissional melhor capacitado (idealmente, claro) para garantir a aplicação coerente dos pressupostos dessa área, seja psicólogo. Coloquei que isso seria o ideal, pois também existem diversas pesquisas sobre formação profissional de ensino superior e, particularmente, do Psicólogo, que tratam das características e qualidade dessa formação no Brasil. Não entrarei em detalhes, pois esse tema renderia bem mais que um post. Além disso, é preciso deixar claro que um profissional de outros campos de atuação (Educação, Saúde, etc.) que passe a dedicar seu tempo na formação em Análise do Comportamento também pode vir a ser um excelente analista do comportamento.

Outra questão levantada foi sobre a competência dos profissionais no Brasil que se dizem “terapeutas ABA” e não apresentam uma certificação internacional como a BACB. Digo a vocês que os principais nomes na pesquisa e atuação em Análise do Comportamento no Brasil não tem essa certificação. Simplesmente porque não é um “carimbo” dizendo que o profissional é um analista do comportamento que garante efetivamente uma atuação de qualidade e fundamentada nos pressupostos da área. Não estou desconsiderando a BACB (até porque estou no processo para adquiri-la, mesmo já tendo mestrado e doutorado na área). Estou apenas convidando todos os leitores, pais, profissionais e interessados a pensar de uma forma mais contextualizada. Nós temos no nosso país longos, consistentes e coerentes processos de formação em Análise do Comportamento, responsáveis pela capacitação de muitos profissionais que não podem ser desconsiderados somente porque esse ou aquele não é um BACB.

Os critérios para escolha do profissional responsável pela terapia ABA (lembrando que esse é apenas um termo e que não especifica um atendimento exclusivo para indivíduos com diagnóstico de TEA – para entender melhor isso ou retomar alguma informação, acesse a página O QUE É ABA?, neste site) precisa passar, com certeza, por suas qualificações de formação e capacitação. A certificação BACB é UMA delas (não é única, nem tão pouco exclusiva, pelo menos por enquanto). Aos pais, cabe investigar a fundo com o profissional escolhido suas qualificações e tempo de trabalho. Aos profissionais, cabe o compromisso ético/profissional de garantir o tratamento de melhor qualidade aos seus atendidos.

Não basta conhecer um conjunto de técnicas e procedimentos em Análise do Comportamento para ser analista do comportamento. Também não basta um rótulo (por mais oficializado que ele seja) para garantir uma atuação de boa qualidade. Ser analista do comportamento é um estado que exige constante formação, estudo e produção de conhecimento. Precisamos pensar “fora da casinha”. Precisamos pensar “fora da mesinha” (sem deixa-la de lado, claro). Até a próxima!

Processo seletivo para vagas de aplicador(a) da terapia ABA em casa para indivíduos com transtornos do desenvolvimento – Campinas/SP e região

Estou abrindo processo seletivo para vagas de aplicador(a) de terapia ABA em domicílio para indivíduos com transtornos do desenvolvimento em Campinas/SP e região.

Pré-requisitos para inscrição:

  1. Profissional recém-formado em Psicologia e/ou Pedagogia;
  2. Estudante dos cursos de Psicologia e/ou Pedagogia;
  3. Disponibilidade para atendimento domiciliar (manhã, tarde ou ambos os períodos);
  4. Disponibilidade para deslocamento entre cidades da região de Campinas/SP.

Funções a serem realizadas no cargo:

  1. Aplicar programas de terapia ABA em casa, sob minha supervisão;
  2. Produzir de material para aplicação dos programas de terapia ABA em casa, sob minha supervisão;
  3. Confeccionar gráficos de dados dos programas de terapia ABA em casa, sob minha supervisão;
  4. Aplicar orientações específicas sob minha supervisão para condução do trabalho de aplicação da terapia ABA em casa.

Etapas do processo seletivo:

  1. Análise de Currículo – síntese das qualificações e experiências do candidato. Além disso, deverão constar no currículo informações sobre: disponibilidade de período para o trabalho; cidades da região de Campinas/SP em que poderá atuar;
  2. Entrevista com o candidato – essa etapa será composta de duas partes: uma entrevista inicial comigo (presencial ou por Skype) e uma entrevista com os pais.

Remuneração:

O valor da remuneração é calculado de acordo com a quantidade de horas de intervenção combinada com as famílias (valor em R$/hora) + custos com deslocamento do aplicador(a). O valor R$/hora pode variar a depender do grau de formação do profissional.

 

Os candidatos selecionados após a segunda etapa do processo seletivo (entrevista) serão encaminhados para as vagas de acordo com sua disponibilidade de horário e deslocamento. Os selecionados receberão treinamento específico para início do trabalho e supervisão constante sob minha responsabilidade. Os candidatos que, eventualmente, não forem encaminhados prontamente para vagas específicas terão seus currículos cadastrados em banco de currículo para futuras vagas (não precisarão passar novamente pelo processo seletivo).

Os interessados deverão enviar currículo conforme solicitado até dia 12/08 para: psicologa.carolina.vieira@gmail.com

Curso Treinamento em Acompanhamento Terapêutico em ABA para trabalho com desenvolvimento atípico

 

Nos dias 28 de maio, 04 e 11 de junho de 2016, promoverei um curso de treinamento para interessados em atuar como aplicadores de terapia ABA em casa e na escola. Lembrando que o aplicador é um profissional que aplica os programas e orientações da terapia ABA em casos de profissionais terapeutas ABA capacitados. O curso será presencial e, ao final dele, cadastrarei os currículos dos alunos interessados em um banco de currículos de aplicadores para casos que atendo em Campinas e região. Ficou interessado? Envie e-mail para psicologa.carolina.vieira@gmail.com e solicite formulário de inscrição. Vagas limitadas!

Fora da mesinha no carnaval

Um feriado tão longo como o Carnaval sempre preocupa pais de crianças com TEA. Quebra de rotina, lugares novos e desconhecidos, interação com pessoas estranhas e barulho excessivo são somente algumas das dificuldades enfrentadas por eles. Dá para garantir estratégias ABA em meio a esse aparente caos? Dá sim! Vou falar dessas estratégias de forma mais detalhada em posts futuros. Por enquanto, deixo algumas delas aqui como dicas e sugestões:

  • Monte junto com a criança um álbum com as principais fotos dos lugares que ela frequentará durante o feriado e das pessoas que ela encontrará nesse período. Vale colocar imagens retiradas da Internet ou fotos que você eventualmente já tenha. O importante é tornar esse material atrativo e informativo/antecipatório para a criança. Nos dias do feriado, retome com ela o álbum sempre que necessário. Por exemplo, visita à casa da vovó – mostre novamente a foto da vovó e converse com ela sobre isso (pergunte quem ela visitará, apontando a foto; pergunte quem está na foto; diga de forma clara e simples que vocês visitarão a vovó naquele momento, etc.).
  • Inclua as atividades do feriado no quadro de rotina visual da criança. Seu filho não tem quadro de rotina ou você não sabe ainda o que é isso? Não se preocupe, garanta a confecção do álbum de fotos para esses dias. Em posts futuros explicarei o que é esse procedimento.
  • Tente manter atividades principais da rotina da criança nos horários habituais (ou pelo menos próximos deles). Sim, essa também é uma dica importante e faz parte de planejar um ambiente mais seguro para seu filho nesses dias.
  • Avalie a necessidade de incluir algum equipamento de proteção para eventuais contextos com muitas variações de estimulação sensorial: um profissional da Terapia Ocupacional é fundamental para orientações mais precisas quanto a isso, mas citando um exemplo: uma criança pode precisar de fones de ouvido para abafar o barulho produzido numa festa.
  • Respeite o período de permanência da criança no local ou evento: qualquer criança dá sinais de desconforto após um período em uma festa, evento ou local. Fique atento aos sinais do seu filho e em qualquer um deles, ajude-o a dizer (falando, mostrando uma foto, apontando para o carro, etc.) que quer ir embora. Evite situações potencialmente aversivas que possam aumentar as chances da criança apresentar algum comportamento disruptivo.
  • Aproveite uma ou outra situação para estimular habilidades em desenvolvimento: você pode, por exemplo, estimular que a criança peça uma garrafa de água para o vendedor. Ela pode pedir falando, mostrando uma foto, apontando diretamente para a garrafa d’água. Cuidado: estimule sem tornar isso uma obrigação, afinal de contas, ela não está no momento de ‘terapia’.
  • Tire fotos dos momentos mais especiais vividos pela criança e aproveite para estimular conversação: você pode selecionar algumas fotos ao final do dia e fazer perguntas simples para a criança como: ‘onde você estava?’, ‘o que você fez?’, ‘com quem você estava?’, ‘o que mais gostou?’, etc. Ela pode falar diretamente, respondendo as perguntas ou mostrar/apontar fotos de um livro de pistas visuais (falaremos mais sobre esse procedimento em outras publicações). Também tome cuidado em selecionar uma ou duas fotos e fazer somente uma ou duas perguntas sobre cada uma delas para não exigir demais da criança nesse momento.
Essas são algumas dicas para o Carnaval. Todas elas estão fundamentadas nos pressupostos da ABA. Falaremos mais especificamente sobre elas, características, alguns termos técnicos, etc., mais para frente. Lembrando: ABA não é método no sentido estrito regras de conduta ou passos de uma receita. Um profissional especializado na área deve ser sempre consultado para melhor individualização das orientações.
Bom Carnaval a todos!

 

Bem-vindo! Você já ouviu falar em “treino de mesinha”? E que “ABA é sinônimo de treino de mesinha?” Pois bem, este é um espaço para todos aqueles interessados em compreender mais a fundo as contribuições da Análise do Comportamento na intervenção sobre desenvolvimento atípico, especialmente sobre os Transtornos do Espectro do Autismo. Aqui, você encontrará informação de boa qualidade e, tomara, ferramentas de atuação no seu dia a dia como pai, mãe, monitor, professor, profissional… E claro, vamos falar de mesinha sim e muito além dela, com certeza!

Fique à vontade! Vamos trocar informações e experiências.